È.. lá fui eu este domingo para a praia.
Fiz uma caridade a minha irmã que tinha terminado com o marido. Então decidi animá-la sabendo do seu amor pelo mar. O dia já começou com fila no banheiro, depois fila no mercado, depois fila pra entrar no ônibus e até para comprar água de coco. Parece que é só vc levantar a bunda do sofá para se divertir e todo humano tem a mesma ideia e sai de casa ao mesmo tempo que vc. Ate mesmo a viagem não foi uma das mais tranquilas.. dado a trilha sonora patrocionada pelos funkeiros. Sim.. o funk ainda continua ativo e atuante aqui no Rio de Janeiro. E o pior é que se julga que todo carioca gosta de ouvir esse ritmo desprezível. Tentei abstrair o quanto pude, mas era música de um lado.. e conversas de adolescentes do outro. Não sei o que era pior. Ouvi toda a sorte de merda aquele dia. E são nesses momentos que penso em como é tênue a linha entre a sanidade e a insanidade. Em meus devaneios me imaginei correndo até a frente do ônibus, pegando no volante e jogando o ônibus de alguma ribanceira. Êta gesto autruísta!
C0hegamos a praia.. aquele calor indescritível tomava conta de mim.. só não sai correndo pelado e pulei no mar porque a areia estava lotada de gente, dai iria tropeçar no meio do caminho. Munido de uma água de coco, fui procurar com minha irmã um espacinho na areia.. e achamos.. e foi bem estranho.. afinal estava bem vazio aquele trecho. Comentei: Putz, mas o povo é burro.. aqui vazio e eles se matando la no posto 7. O resultado de minha malhação se fez evidente quando fiquei de sunga. Enquanto passava protetor no meu corpo ouvi ao fundo alguns risinhos e vozes efeminadas. Eu não dei muita bola.. Até que comecei a ouvir em alto e bom som outras vozes.. Dai sim fiquei em pânico quando percebi onde estava.. olhei por cima daquelas cabeças.. e percebi que estava justamente entre o posto 8 e 9 de Ipanema, uma área conhecida por abrigar em dias de Sol toda a parcela homossexual do Rio de Janeiro. E eu lá impávido tentando fingir normalidade. O mais difícil era olhar em alguma direção sem passar a impressão que estava "dando mole", ou buscando gatinhos. Até mesmo minha conhecida capacidade de olhar o horizonte através das pessoas estava comprometida. Eu só imaginava como seria a caminhada até o mar, momento este que chegaria em breve.
Pedimos algumas bebidas ao vendedor ambulante, que estranhamente era hétero. Minha irmã estava tranquilona, sem se importar com nada, deitada de bruços se bronzeando. E eu lá sentado criando coragem pra levantar e ir para o mar. Ao passar mais uma camada protetora nas costas visualizei dois caras magrelos se atracando. Já chega! Me levantei e fui pro mar. A água estava sensacional. Nadei, nadei.. não tinha uma só mulher bonita naquela faixa da praia, mas nem isso tirou minha alegria. Ao voltar para a areia constatei que os homossexuais eram bem mais educados e limpos tb do que os héteros. Era a única parte da praia limpa. Tirando os olhares que recebi e as visões que tive, tudo transcorreu normalmente. Eram só carinhos e amor entre duas pessoas do mesmo sexo. Nada muito diferente do que acontece entre nós ditos "normais".
Antes confesso que não aturava homossexuais de forma alguma. Claro.. achava excitante duas mulheres se tocando. Mas era intolerante com os homens. Até que um dia pensei que tb era minoria, afinal, sou ateu. Então.. pensei no paradoxo que era ser contra outras minorias tb. Sempre tolerei, índios, negros, deficientes físicos.. então por que não tb os homossexuais? Há espaço para todos no mundo. Todos merecem ser felizes e respeitados. Claro.. esse meu pensamento não inclue pedófilos e serial killers. Esses dois últimos ainda merecem serem jogados em um rio cheio de crocodilos famintos.
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"humanos" (rs) costumo chamar esses seres estranhos desse apelido também.
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